Em meio aos desafios da segurança alimentar global, o potássio vem ganhando destaque como o mineral estratégico da agricultura moderna. Essencial para o crescimento das plantas e a produtividade do solo, ele é o “ingrediente invisível” que sustenta a produção de alimentos no mundo todo.
No entanto, o Brasil uma das maiores potências agrícolas do planeta ainda depende fortemente da importação de potássio, especialmente de países como Canadá, Rússia e Bielorrússia. Essa dependência acende o alerta e impulsiona uma verdadeira corrida pelo tesouro verde da agricultura brasileira.

O que é o potássio e por que ele é tão importante?
O potássio (K) é um dos três macronutrientes essenciais para o crescimento das plantas, junto com nitrogênio (N) e fósforo (P). Ele atua diretamente em processos vitais, como:
- Regulação da fotossíntese e absorção de água;
- Aumento da resistência das plantas a pragas e doenças;
- Melhoria da qualidade dos frutos e grãos;
- Maior eficiência no uso de nutrientes e da irrigação.
Em resumo, sem potássio, não há agricultura produtiva. Por isso, ele é considerado o “combustível verde” das lavouras e um dos pilares da segurança alimentar mundial.
O cenário global do potássio
O mercado mundial de potássio é altamente concentrado. Três países Canadá, Rússia e Bielorrússia são responsáveis por mais de 70% da produção global.
Essa concentração cria vulnerabilidades geopolíticas. Conflitos, sanções econômicas e oscilações logísticas podem impactar diretamente o fornecimento e os preços globais do fertilizante.
Com a crescente demanda por alimentos e biocombustíveis, o potássio se tornou um recurso estratégico, tão importante para a agricultura quanto o petróleo já foi para a energia.

O Brasil e sua dependência mineral
O Brasil é o quarto maior consumidor mundial de fertilizantes e importa cerca de 85% do potássio que utiliza, principalmente para culturas como soja, milho, algodão e café.
Essa dependência externa coloca o agronegócio responsável por quase 30% do PIB nacional em uma posição vulnerável frente a crises internacionais.
Para reduzir essa exposição, o país vem intensificando seus projetos de exploração e beneficiamento interno de potássio, especialmente na Amazônia, Sergipe e Minas Gerais.
Onde estão as reservas brasileiras de potássio?
As principais jazidas de potássio no Brasil estão localizadas em três regiões estratégicas:
- Bacia Amazônica (AM e PA): abriga o Projeto Autazes, uma das maiores reservas conhecidas do país;
- Sergipe: possui jazidas em produção desde os anos 1980, com operações da Petrobras e da Mosaic Fertilizantes;
- Minas Gerais: estudos recentes indicam potencial para extração em formações sedimentares associadas a sal-gema.
Essas áreas representam a esperança de autonomia mineral brasileira, mas também levantam discussões ambientais e sociais importantes especialmente no caso da Amazônia, onde a mineração precisa avançar com responsabilidade socioambiental e consulta às comunidades locais.

Potássio e sustentabilidade: o equilíbrio necessário
A corrida pelo potássio precisa ser acompanhada por práticas responsáveis. Afinal, a mineração em áreas sensíveis pode gerar impactos ambientais significativos se não houver planejamento técnico e transparência.
Para garantir uma mineração sustentável, as empresas e órgãos públicos vêm adotando medidas como:
- Monitoramento geotécnico e ambiental contínuo;
- Planos de gestão de risco e segurança de barragens;
- Tecnologias limpas de extração e beneficiamento;
- Diálogo aberto com comunidades e órgãos ambientais.
O futuro do potássio no Brasil depende de encontrar o equilíbrio entre produção, preservação e prosperidade, tornando o recurso um verdadeiro vetor de desenvolvimento sustentável.
Inovação e pesquisa: o novo ciclo do potássio brasileiro
Instituições como a CPRM, o Serviço Geológico do Brasil, universidades e empresas privadas vêm investindo em pesquisa e tecnologia para ampliar o conhecimento sobre novas fontes de potássio incluindo alternativas como:
- Aproveitamento de rejeitos minerais e subprodutos;
- Fontes não convencionais, como rochas potássicas e salmouras naturais;
- Tecnologias de extração mais eficientes e de baixo impacto.
Esses avanços abrem portas para um novo ciclo mineral, que alia autonomia estratégica, sustentabilidade e inovação tecnológica.
O futuro: autonomia mineral e segurança alimentar
O potássio é mais do que um insumo agrícola é um ativo geopolítico e ambiental. A busca pela autossuficiência mineral fortalece não só a economia, mas também a segurança alimentar e a soberania nacional.
Com planejamento, inovação e governança, o Brasil pode se tornar referência mundial em mineração verde, transformando seu potencial geológico em prosperidade para o campo e para as cidades.
Conclusão: o tesouro verde do agronegócio brasileiro
A corrida pelo potássio é, na verdade, a corrida pelo futuro da agricultura sustentável.
Com reservas promissoras, tecnologia em avanço e um agronegócio em expansão, o Brasil tem tudo para se tornar protagonista global na produção desse mineral estratégico.
O desafio está em fazer mais do que extrair é produzir com responsabilidade, agregar valor e gerar conhecimento. Esse é o verdadeiro caminho para transformar o tesouro verde do subsolo em um legado duradouro para as próximas gerações.

Gostou deste conteúdo?
Acompanhe o Minera Jobs para entender como a mineração e o agronegócio se conectam no desenvolvimento sustentável do Brasil.
Se você quer construir uma carreira no setor mineral, fique de olho nos nossos próximos artigos sobre formações, oportunidades e tecnologias emergentes da mineração moderna.
